• Glauber Benetti Carvalho

A indisciplina dos alunos, por quê?



Quem de nós quando adolescente não passou pela experiência de escutar a mãe dizer lá de outro cômodo: “leve um casaco!” ou “leve o guarda-chuvas!”? Ou quem é mãe ou pai, já não fez isso? Porém, que adolescente gosta de sair por aí com um casaco ou guarda-chuvas pendurado no braço? A primeira reação de um adolescente, na maioria das vezes, é refutar essa ordem.

Isso acontece porque essa regra de levar o casaco é uma regra do adulto e não do adolescente, é um conhecimento que o adulto tem e, com amor, tenta ensinar. Porém como dito, essa regra não é própria do jovem, mas sim do adulto que sabe da consequência de sair sem o casaco.

Essa Regra, ou nomos em grego, que também significa norma, não é próprio do adolescente, pois ele ainda não possui uma “auto nomos”, ou melhor, uma autonomia para decidir. Uma excelente pedagogia é fazer com que ele mesmo adquira esse conhecimento de uma forma sensível. A partir do momento que ele, uma vez fora de casa, passar frio na rua e sentir realmente a sensação gelada, essa norma que antes não era dele vai passar a ser, pois sentiu na pele a baixa temperatura. Portanto, de uma regra externa, passa-se a uma norma própria. Dá próxima vez que sair terá autonomia para decidir levar o casaco ou não e sofrer as consequências, porque a experiência mostrou que o adulto estava certo.

Quantas vezes nós professores, diante de uma turma exigimos a disciplina: “fiquem quietos”, “não conversem”, “não façam bagunças” e somos refutados de pronto? Porque essa regra não é dos alunos, essa regra é nossa, e também da instituição. Os alunos não possuem essa norma dentro de si, eles não possuem essa autonomia.

Eu sou professor e já vivi inúmera vezes essa situação, e já passei por isso do infantil ao ensino superior. Nossa primeira reação é impor a ordem, impor algo de “fora pra dentro” e isso na maioria das vezes causa ainda mais conflito.

Então qual é a solução? Como criar essa ordem dentro da sala de aula? Como criar uma harmonia entre todas as partes envolvidas, alunos com alunos, alunos com professores? Como desenvolver essa competência de autonomia nos alunos?

A primeira coisa é fazê-los vivenciar. Assim como o adolescente aprendeu que o frio realmente existe e incomoda gerando autonomia, assim podemos fazer com que os alunos experimentam a ordem, a harmonia. Conseguimos isso desenvolvendo algo chamado senso estético. O que é esse senso estético, o que é estética? Estética vem do grego aisthesis, que significa compreensão pelos sentidos.

Em português temos a palavra estesia. E o que é estesia? Possivelmente você sabe o que é anestesia, que é a perda da sensibilidade, portando, estesia significa sensibilidade. Estética, por sua vez, significa sensibilidade àquilo que está em ordem, em harmonia. Senso Estético é aquela sensibilidade, que diante da vida, nos faz procurar pela harmonia, pela ordem, por aquilo que é belo. Não aquele belo convencionado, não padrões de beleza criados, mas o belo no sentido “aquilo que está em ordem, em harmonia”.

E eu professor, como posso desenvolver isso com a minha turma?

Nós aqui da Impare Educação estamos pesquisando e testando isso diariamente a mais de dez anos, criando atividades que através do conhecimento sensível, da sensibilidade, podemos desenvolver competências, principalmente Competências Socioemocionais, como a autonomia. Nesses anos trabalhando, pesquisando e levando para sala de aula atividades que desenvolvem, por exemplo o senso estético, evidenciamos mudanças de comportamento significativas. E percebemos que quanto mais cedo iniciamos, ou seja, já na Educação infantil com os bem pequenos, mais fácil e tranquilo fica o trabalho. Uma criança mais sensível, quando chega ao fundamental tem mais autonomia. Seu aprendizado é mais pleno, ela é capaz de promover a ordem, seja emocional como cognitiva, pois quanto mais somos organizados e sensíveis, mais somos capazes de concatenar nossas ideias, nosso raciocínio. Ou seja, da Competência Socioemocional desenvolvemos Competências Cognitivas.

E quando aplicamos essas atividades no fundamental, ocorrem transformações em todos. Percebemos que as relações entre as partes envolvidas se harmonizam, o vínculo se estabelece entre professores e alunos abrindo canais de comunicação, de respeito mútuo entre todos. A ordem é estabelecida.

Eu os convido a experimentar nossas atividades, nossos planos de aulas e nossos projetos de trabalhos e verificar os resultados.

Brincar é bom e desenvolve competências! Até mais.


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