• Fátima Osmari Burin

A era digital e o desenvolvimento de competências na formação docente

A sociedade atual está imersa em um mundo digital e vive uma revolução tecnológica, que permite uma grande e rápida troca de informações a todo o instante. Todas as mudanças vivenciadas por essa fácil acessibilidade têm causado um enorme impacto em todos os setores da nossa sociedade, que perpassam desde os âmbitos econômicos, sociais, de comunicação, relacionamento, cultural, até o âmbito educacional (Bates, 2017).


A chegada da Era digital (período denominado a partir da década de 80) formou uma nova geração, uma geração digital que preconiza habilidades, conhecimentos e atitudes diferentes do século passado. A tecnologia que no passado era usufruto de alguns, hoje se massifica. Neste sentido, é necessário repensar a forma como utilizamos as tecnologias no âmbito educacional, uma vez que as vivências das crianças e jovens estão diretamente ligadas a elas. Segundo Veen e Vrakking (2006, p.27), “[...] os alunos de hoje demandam novas abordagens e métodos de ensino para que se consiga manter a atenção e a motivação na escola [...]”.

O problema é que as escolas ainda tentam transferir o conhecimento como se fazia há 100 anos. Isso não seria um problema se toda a estrutura econômica de nossa sociedade ainda fosse a mesma, mas esse não é o caso (Veen e Vrakking, 2006, p. 13)

Na contemporaneidade, as crianças e jovens tem fácil acesso as informações e conteúdos, basta acessar a internet que qualquer tipo de conhecimento está disponível, desde textos digitalizados, fóruns, até videoaulas e tutoriais. Sendo assim, o papel do professor não é mais o de expositor de conteúdos, mas sim, o de mediador, incentivador e condutor de diferentes formas de aprendizado para que seus alunos sejam instigados a buscar conhecimentos.

O papel do professor teria de passar a definir-se cada vez menos como reprodutor de uma verdade estabelecida, quase sempre expressa no manual escolar, da verdade que está no programa. Acho que o professor deveria saber transformar-se num ator social, capaz de escutar como escuta as necessidades dos alunos, e basear todo seu trabalho na troca dessa prática da escrita na sala de aula. (DO Ó, 2007, p. 111)

Segundo Behar (2013), Fadel (2015), Veen e Vrakking (2006) e Costin (2013), a transmissão de conteúdos já não é mais suficiente.

Adquirir conteúdo deixará de ser a meta principal da educação, que dará maior ênfase ao que é significativo e relevante. Como consequência, as escolas não mais serão instituições que treinam as crianças para a certeza; em vez disso, as escolas facilitarão a aprendizagem para uma geração que sabe viver e trabalhar em organizações e instituições nas quais o conhecimento é intenso e onde tal geração terá de depender da flexibilidade e da adaptabilidade para lidar com condições e situações que estão em constante mudança. (Veen e Vrakking, 2006, p. 14)

Ainda, segundo Costin (2013), devemos sair do processo de massa onde o professor ensina todos de maneira igual, escreve no quadro e todos copiam, independente de suas individualidades, habilidades e talentos, a aprendizagem deve ser um processo um pouco mais individualizado. Tanto conteúdo disponível gera autonomia na aprendizagem, o que leva ao fato de que o professor não deve transmitir conteúdos, mas ensinar a pesquisar. Isso é possível hoje “com as novas tecnologias e com o professor preparado muito mais como facilitador do processo de aprendizagem do que fornecedor de conteúdo”. Segundo dados levantados pela UNESCO (2013), atualmente no mundo são 250 milhões de crianças em idade escolar que não sabem ler, escrever, nem fazer operações básicas de matemática. Esses dados incluem meninos e meninas que passaram pelo menos quatro anos na escola, ou seja, nossos estudantes não estão aprendendo, se faz necessário repensarmos nossas práticas pedagógicas.

A mera transmissão de conteúdos caracteriza uma ação pedagógica isolada e unilateral, em que a possibilidade de construção conjunta do conhecimento, mediada pelas TIC's, na complexidade de leitura da realidade, é substituída pelo uso de ferramentas de instrumentação e resolução de problemas, sejam elas de ordem funcional ou acadêmica. (Vieira, 2011)

Neste sentido, se faz necessário pensar em práticas pedagógicas que preconizam competências que desenvolvam não apenas aspectos cognitivos, mas também, e não menos importante, aspectos socioemocionais. As Competências Socioemocionais consistem, como apontam diversas pesquisas, em alavancas para que os alunos aprendam plenamente os conteúdos escolares, pois favorecem a construção de competências cognitivas. Sendo assim, cria-se uma necessidade de se pensar em uma formação docente continuada que proporcione novos aportes epistemológicos e práticos aos professores já em atuação na Educação Básica, em prol da consolidação do processo de ensino-aprendizagem que esteja em compasso com o desenvolvimento de competências.


Ser professor atualmente requer não apenas saber dominar com maestria o conhecimento que busca ensinar, mas principalmente, estar atualizado com a era digital, as novas necessidades das crianças e jovens e, principalmente, ser capaz de promover o desenvolvimento de competências que no século passado não faziam parte do contexto escolar em prol de favorecer que os alunos possam consolidar as quatro aprendizagens definidas pela UNESCO como as fundamentais para o pleno sucesso social: aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a conviver e aprender a fazer (DELORES, 1996).


Contudo isso, principalmente no contexto educacional, se faz necessário e urgente pensar em novas maneiras de promover uma educação que esteja em compasso com a utilização de tecnologias educacionais, para atender as demandas do século XXI, que preconizam formar crianças, jovens e adultos, plenos, através de uma educação sensível, integral e que gerem competências.



REFERÊNCIAS

BATES, Tony. Educar na Era digital. Disponível versão digital em Português:

abed.org.br/arquivos/Educar_na_Era_Digital.pdf. 2017, 607 p.


BEHAR, P. A. Competências em Educação a Distância. Porto Alegre: Penso, 2013.

312p.

COSTA, M. V.; DO Ó, J. R. Desafios à escola contemporânea: um diálogo. Educação

e Realidade. Porto Alegre, v. 32, n. 2, p. 109-116, jul./dez. 2007.


COSTIN, Cláudia. O desafio da educação no século XXI. Entrevista gravada na

Universidade Columbia, em novembro de 2015, 42’17”. Disponível em:

http://umbrasil.com/videos/a-educacao-se-nao-for-bem-trabalhada-aumenta-a-

desigualdade-diz-diretora-global-de-educacao-do-banco-mundial/


FADEL, Charles.; BIALIK, Maia.; TRILLING, Berning. Educação em quatro

dimensões: as competências que os estudantes devem ter para atingir o sucesso. São

Paulo: Instituto Península e Instituto Ayrton Senna, 2015.


VEEN, W.; VRAKKING, B. Homo zappiens: educando na era digital. (Tradução

Vinicius Figueira). Porto Alegre: Artmed, 2009.


VIEIRA, Leociléa Aparecida. Entre o real e o virtual: a Educação a Distância (EaD)

como um espaço para o educar (aprender e ensinar) pela pesquisa. 2011. 199 f.; Il Tese

(Doutorado) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Programa de Pós-

Graduação em Educação: Currículo. Disponível em

http://www.pucsp.br/gepi/downloads/RESUMO_DISSERTACOES_GEPI/2011_TESE

_LEOCILEA.pdf. Acesso em: março de 2018.


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