• Impare Educação

A responsabilidade de um Educador

Atualizado: Abr 6


Apanhei um abacate aqui em uma árvore perto da minha casa e, depois de comer a poupa com limão e açúcar mascavo, do jeito que eu gosto, resolvi escrever esse artigo sobre o caroço que estava dentro.


Me dei conta que tinha duas opções, joga-lo fora ou tentar cultivar. O interessante nessa situação é que eu tenho a possibilidade de decidir o que fazer com essa semente porque me dei essa responsabilidade, ou seja, eu passei a responder por esse caroço. A decisão de jogá-lo fora ou de cultivá-lo é minha. Se eu o jogar, certamente ele vai apodrecer e se decompor, mas se eu resolver cultivá-lo posso estar dando a chance dele um dia vir a ser um grande pé de abacate e gerar frutos e outras sementes.


Ao me ver nessa situação, de responsabilidade por esse pequeno grânulo, me lembrei quase instantaneamente que a palavra educação tem origem em dois termos latinos educare e educere, onde o primeiro significa nutrir, alimentar e o segundo que é proveniente de ex-ducere, significa conduzir para fora.


Essa analogia surgiu em minha mente pois, ao me decidir e optar por ficar com ela, eu deveria cultivá-la e, para isso, precisaria inseri-la em um ambiente propício para que pudesse se alimentar, ou seja, ela necessita de um ambiente capaz de lhe proporcionar uma devida nutrição para que possa germinar, pois somente assim, aquele projeto que a natureza criou que está dentro dessa semente, possa sair, ou seja, ser conduzida para fora e virar aquilo a que veio: um abacateiro.


A esse ponto fica inevitável mais analogias com a minha profissão e de tantos colegas, a de Educador. Quando decidimos, por sermos Educadores, nos demos uma responsabilidade que é ajudar na educação de pessoas, logo temos que responder a isso. Aqui não temos a opção de “jogar fora” aquele que precisa ser nutrido, alimentado que no caso é o aluno, que tem como etimologia do latim, alumnus, alumni, proveniente de alere, que significa “alimentar, nutrir. Aluno, portanto, tem como significado etimológico “aquele que precisa ser alimentado”.


A minha semente de abacate ainda não é um abacate, mas pode vir a ser um dia. Por hora, o abacateiro que está dentro desse caroço está em estado de potência, ou seja, ele precisa germinar, virar um broto e a partir disso se fazer a cada dia em um constante devir, um constante vir a ser. Mas como é potência não é certo que virará um abacateiro, mas é certo que, ser acontecer, não poderá ser outra coisa que não um abacateiro. A árvore resultante será o ato da potencialidade da semente. Da potência, ao ato aristotélico - da semente à árvore. Já uma semente de laranja, só poderá vir a ser uma laranjeira, porque é esse o seu potencial. Uma pessoa, se acontecer, ela só poderá ser ela mesma, ou seja, uma pessoa. Do latim per se esse, ser por si, ou seja, ela só pode ser ela mesma. Ninguém poder ser outra coisa que não si mesmo. Mas como saber quem se é? O primeiro passo é conhecer o seu potencial. Mas não basta conhecer, depois é preciso atuá-lo.


A nossa Educação está ajudando nossos alunos a se conhecerem e atuarem as suas potencialidades? Estamos “nutrindo” e os ajudando a “conduzir para fora” seus potenciais? O que estamos fazendo pelos nossos alunos?


Nós aqui da Impare Educação, não pensamos em outra coisa a não ser em como elaborar e executar proposições pedagógicas onde os alunos são inseridos em situações onde possam experimentar a se descobrirem, se desafiarem e conhecerem seus potenciais e seus limites. Seja nos nossos projetos de trabalho, nos planejamentos e nas atividades desenvolvidas, temos como meta criar um ambiente propício para esse autoconhecimento e atuação histórica de seus potenciais para que possam desenvolver competências, principalmente aquelas denominadas competências Socioemocionais. Pois a dimensão do cognitivo, do pensamento, do simbólico precisa estar sobre bases consistentes do emocional. Já a alteridade, o social é o terreno fértil onde brotamos e desenvolvemos enquanto pessoas, ninguém se torna pessoa sozinho.


Experimente inserir algumas atividades da Impare educação no seu dia a dia de trabalho, acrescente uma boa porção de intencionalidade de transformação nos seus alunos, misture bem como muita alegria e vamos ver no que acontece.


A Impare nasceu com o propósito de transformar positivamente pessoas e contextos, através da promoção de aprendizagens significativas para a construção de uma vida plena nesse nosso mundo contemporâneo, pode contar conosco sempre que precisar.

Até a próxima.


Glauber Benetti Carvalho. Educador, músico e musicoterapeuta. Diretor da Impare Educação


#impareeducação

#responsabilidade

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